De Nova York para o mundo
Sérgio Augusto

Como o jazz, o western e os musicais da Broadway, o cartum é uma das formas artísticas mais peculiarmente americanas – inclusive por trafegar sem solavancos entre a cultura pop e a cultura elevada. Seus confins são a imprensa e os museus, pois há muito não se discute se um grande cartunista é ou não um artista plástico; em alguns casos, um grande artista plástico, como Saul Steinberg. Romeno educado na Itália, Steinberg consagrou-se, como tantos outros mestres do traço humorístico, nas páginas da revista The New Yorker, o supra-sumo do cosmopolitismo e do jeito Manhattan de ser, e a mais longeva e prestigiada vitrine do cartunismo mundial.

Atração essencial da revista desde o seu lançamento, em 21 de fevereiro de 1925, o cartum é, há décadas, a primeira coisa que seus leitores procuram. Só depois então eles vão degustar os textos que a celebrizaram como a publicação mais bem escrita e refinada de todos os tempos. Os cartuns são para a New Yorker o que as coelhinhas são para a Playboy. “Eles deram o tom da revista e tornaram-se o seu emblema”, reconheceu por escrito David Remnick, seu editor desde 1998. Desde 1928, com breves hiatos a partir da década de 1940, que a New Yorker cultiva o hábito de selecionar os melhores cartuns do ano anterior e editá-los em livros; de uns tempos para cá, segmentados tematicamente. Não importa o tema – cachorro, gato, terapeutas, médicos, dinheiro, justiça, casais, coquetéis –, o sucesso é certeiro. Comprar ou dar de presente um livro de cartuns da New Yorker não é um símbolo de status ou de aparência de sofisticação importada, mas uma demonstração de inteligência.